Depois de mais de um mês desempregada, um antigo colega meu ligou-me a dizer que estava a trabalhar no call center da PT a vender serviços da MEO. Perguntou-me também se eu queria que ele entregasse o meu currículo lá pois queria ajudar-me. Obviamente que eu disse que sim. Cada vez chego mais à conclusão que, sem cunhas ou empurrões, não chego a lado nenhum. Não tenho um diploma, não tenho nada que inspire confiança às pessoas de que realmente sou capaz - apesar de o ser. E assim continuo. Sem nada meu, nada conquistado pelas minhas próprias mãos, sangue ou suor.
No mesmo dia em que ele entregou o meu currículo, ligaram-me imediatamente a marcar uma entrevista. Depois da entrevista, comecei uma formação com a duração de um mês. Vou agora a meio da segunda semana, ainda meio confusa e a lutar interiormente. As minhas necessidades lutam contra as minhas paixões e o meu amor próprio. Quero acreditar que desta vez vou conseguir ultrapassar qualquer obstáculo e que vou agarrar-me ao objectivo de querer uma casa só minha e do João, de termos o nosso dinheiro e a nossa estabilidade financeira. Quero acreditar que desta vez não vou desistir por estar a odiar o que estou a fazer. Mas eu conheço-me tão bem... Sei que quando tropeço a primeira vez, começo a olhar para o caminho com outros olhos. E hoje foi o primeiro tropeção. Se calhar estava a caminhar demasiado depressa, se calhar as coisas estavam a correr demasiado bem para o meu lado e estava na altura de receber uma visita.
Não sei o que se passa comigo - ou então até sei mas não quero acreditar. Se as coisas acontecerem da forma que eu acho que vai acontecer, muita coisa vai mudar. A minha cabeça está neste momento a doer devido a todas as lágrimas reprimidas. Não quero pensar nos diversos caminhos que o meu futuro pode tomar a partir daqui pois sinto que vou sofrer por antecipação. Quero focar-me no presente e nos problemas que neste momento tenho em mãos: dores de barriga e de costas infernais, intestinos fracos, um teste adiado para amanhã que pode vir a decidir se fico empregada ou não, a matéria toda que perdi, os suores frios que me assaltaram durante a viagem de comboio, a vontade que tenho de adormecer e nunca mais acordar... Quero ultrapassá-los a todos, um de cada vez. Quero mostrar a mim própria que mesmo com este tropeção, as coisas vão correr bem. Quero ultrapassar o próximo também. E, no entanto, sinto-me tão frágil. Não sei em que momento irei desabar.
Sem comentários:
Enviar um comentário