No dia 25 de Junho de 2014 fui a uma bruxa fazer o meu mapa astral para o meu ano, que acabaria a 25 de Junho de 2015. Entretanto já passaram cinco meses desde que o meu ano astral mapeado chegou ao fim mas hoje apetece-me fazer uma análise àquilo que me foi dito e àquilo que realmente aconteceu.
"Este ano será decisivo para a tua auto-estima e para o reconhecimento de ti mesma." disse-me ela. Na altura não percebi muito bem e lembro-me de ter ficado preocupada com o facto de talvez não chegar a reconhecer-me e de ficar presa em alguma espécie de limbo na minha consciência. Ela não chegou a acalmar esse meu receio que me causou comichão durante alguns dias. Depois fui-me esquecendo lentamente daquela minha ânsia em reconhecer quem realmente era e do quanto a minha auto-estima precisava de ajuda.
Sempre tive uma vida preenchida de momentos. Aventuras, relações amorosas, amizades terminadas, objectivos escolares cumpridos, exames de ballet ultrapassados... Mas nunca tive um ano tão caótico como esse ano astral que passou.
Tudo começou em Julho. Ciente de que a minha criatividade andava há algum tempo meio estagnada, não esperava sonhar com um dos meus maiores projectos de sempre numa simples noite de Verão. No entanto, foi isso que aconteceu. O Roleplay of Legends surgiu no dia a seguir depois de muitas horas de trabalho e alinhamento de arestas. Nem eu sabia as proporções que tal projecto teria na minha vida e na vida de outras quantas pessoas.
Depois chegou Outubro. Lembro-me de me ir deitar e de o meu peito me ter começado a doer. Sabia que no dia a seguir tinha de ir para a faculdade e só esse pensamento fazia com que o meu corpo se contorcesse de dores. Chorei a noite inteira sem saber o que se passava comigo. Só então me apercebi que estava a ter um esgotamento nervoso depois de três anos e meio a aguentar fazer algo que me deixava miserável. Decidi então dizer aos meus pais que ia desistir do curso. Chorei, lutei e tive que repetir as mesmas palavras vezes sem conta. Discuti e senti toda a infelicidade a entrar pela janela da de uma só vez. No entanto, o peso que carregava sobre mim durante aquele tempo todo simplesmente desapareceu de um momento para o outro. E de repente comecei a conseguir respirar outra vez. Pensar outra vez. Planear e projectar outra vez. Levou tempo mas lá fui conseguindo e alcançando.
Entretanto chegou Janeiro. Visto que exactamente no dia dos meus anos conhecera o Spawn Point Gaming Lounge e o Jorge, não esperava que fosse assim tão literal a importância que todos esses acontecimentos fossem ter na minha vida. Arranjei então o meu primeiro emprego numa loja de informática através do Jorge, arranjando logo de seguida um segundo emprego numa loja um pouco estranha de artigos em segunda mão. Nesse mês trabalhei as minhas primeiras horas, tomei as minhas primeiras decisões conscientes e senti os primeiros espinhos do mundo dos adultos. Em Fevereiro decidi finalmente ficar apenas com um dos empregos e dediquei-me ao que fazia de corpo e alma. Infelizmente, a pessoa que trabalhava comigo tinha planos diferentes para mim. Consciente das minhas capacidades, tentou levar-me para uma escola mística que acabou por criar muitas perguntas e poucas respostas na minha cabeça. Em Janeiro conheci também o João.
Felizmente, essas perguntas foram mais tarde respondidas em Março quando conheci o Drakke. Finalmente consciente de que aquele futuro que alguém tentara desenhar para mim não encaixava naquilo que eu queria e precisava, abri uma porta nova que jamais julgara abrir. De repente, todo o Universo estava na palma da minha mão e tudo aquilo que eu julgara verdade era apenas a ponta de um iceberg gigante. O meu mundo deu uma volta de trezentos e sessenta graus. Comecei a ver tudo de maneira diferente. A sentir também... A minha relação com o Botas deu os seus primeiros passos para o abismo, consequentemente.
Em Abril lutei contra parte dos meus demónios. Consciente de que estava a libertar algo que amava bastante, acabei por decidir que me amava mais a mim mesma. Despedi-me e nunca baixei a cabeça enquanto me insultavam e apontavam dedos, culpando-me de erros que eles mesmos haviam cometido. Enchi-me de força e coragem e não explodi, não procurei vingança nem me enchi de arrependimentos. Sem olhar para trás, deixei-os num rasto de esquecimento e insignificância que eles mesmos passaram a odiar.
E depois chegou Maio. Embrulhada num mundo novo a que ainda não me habituara por completo, obriguei-me a mim mesma a tomar decisões tão difíceis que eu cheguei a achar que não conseguiria aguentar o peso e o vazio que deixariam para trás. Mais uma vez armei-me de força e coragem e fui sempre em frente. Sem pisar ninguém e tentando fazer os menores estragos possíveis, agarrei a minha felicidade com as duas mãos e terminei tudo com o Botas, começando uma nova relação com o João.
E depois chegou 25 de Junho de 2015, a data em que festejei o meu primeiro mês com o meu amor e a data em que dei por mim sentada num café rodeada de poucas pessoas - mas boas - a cantarem-me os parabéns à meia-noite. Já não estava sentada em frente a um computador ou deitada na minha cama à espera do reconhecimento de pessoas que nunca mais olhariam para mim. Agora era tudo real. E um novo ano astral começou. E entretanto já vivi tanto... E sei que o meu auto-reconhecimento foi necessário para todo este crescimento repentino em mim mesma. Na parte da auto-estima... continuo a lutar todos os dias; há aqueles em que venço e aqueles em que perco, sendo estes últimos os mais comuns.
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