Cheirava a humidade e se o silêncio absoluto existisse entre aquele grupo de pessoas, conseguia ouvir-se gotas a caírem no chão de pedra fria. A luz do sol não penetrava aquela adega subterrânea portanto diversas velas brancas e negras estavam espalhadas pela divisão, criando por baixo de si bases de cera derretida que outrora pingara e sujara as superfícies de madeira. A mulher loira e de olhos azuis estava parada em frente a um armário cheio de garrafas de diferentes formas, cores e feitios. Este tinha buracos em forma de losangos onde as bebidas esperavam os tão aguardados lábios envenenados daquelas putas caras. A mulher de cabelo branco e longo esperava ao lado da loira, observando com os seus olhos minuciosos qual seria a garrafa que ela iria escolher. Miriam estendeu a mão para uma garrafa triangular e com um líquido negro e brilhante. Não tinha qualquer tipo de rótulo e mal a estendeu para as mãos da mulher idosa, esta abriu-a e um fumo branco saiu cá para fora.
- Muito bem, boa escolha! - exclamou a mulher idosa com um sorriso malicioso.
De garrafa na mão, caminhou até ao seu lado esquerdo e abriu uma porta. A divisão continha uma mesa redonda onde mais pessoas estavam sentadas. Pousou a garrafa em cima da mesa e o fumo que saía desta misturou-se com o fumo que saía da boca daqueles familiares. Miriam sentou-se no seu lugar habitual e serviu-se.
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