"Acredita que não há um dia em que eu não agradeça aos deuses por te ter." disse eu, enquanto abraçava o João e lhe mexia no cabelo de forma carinhosa. Meio deitados na cama, ele tinha a sua cabeça encostada ao meu peito e mordia-me os mamilos para depois sorrir daquela sua maneira traquina.
Hoje é dia - ou noite - de escrever acerca de coisas que me fazem feliz. Hoje é dia de deixar o pessimismo um pouco de parte e sorrir perante todas as alegrias que tenho vivido ultimamente nos últimos quatro meses.
Depois daquele dia em que eu me deixei deprimir devido ao pouco dinheiro que eu e o João tínhamos, acordei na minha cama gigante com uma chamada dele. Ele tinha ido trabalhar de manhã cedo, como sempre, e não era natural ligar-me aquela hora. Um pouco atarantada, atendi o telemóvel e recebi uma das melhores notícias dos últimos tempos: ele fora aceite numa nova empresa onde ia ganhar mais e também trabalhar na sua área, deixando assim o trabalho de escravo que tinha de fazer todos os dias apenas para ganhar o salário mínimo. Nessa noite, infelizmente, não pudemos festejar pois a minha menstruação chegou e com ela chegaram também as dores infernais. Mas alguns dias depois ele informou-me que iria ter umas mini férias. Visto que a nova empresa o queria a trabalhar a partir de dia 1 de Outubro, ele iria estar Sábado, Domingo, Segunda, Terça e Quarta-Feira em casa comigo. "Para te dedicar algum tempo..." justificou-se ele. E assim o fez. No Sábado dormimos até tarde e aproveitámos a companhia um do outro, indo depois jantar a casa da mãe dele. No Domingo foi a vez de irmos almoçar a casa dos meus pais, onde passámos algumas horas também a ver um concerto dos Muse ao vivo no ecrã gigante da sala do meu pai. Depois disso, conversámos durante algumas horas como já não fazíamos há algum tempo. Ultimamente parecia que existia pouco tempo para conversar mas esse sentimento desvaneceu-se rapidamente. No meio de algumas ideias tempestuosas e alguns conflitos de opiniões, senti-me a renascer nos seus braços e nos seus beijos novamente. O resto da tarde foi passada na Feira Medieval da terrinha, onde comemos crepes com Nutella, comprei um finalmente um underbust - que me fica terrivelmente bem - e um choker lindíssimo que imediatamente me fez pensar no meu clã. Bebemos também uma sangria de mirtilos num copo de barro muito engraçado que fumegava por todos os lados, já para não falar nas bandas e todo aquele entretenimento que nos rodeava. Toda a energia que tinha perdido na última semana foi completamente reposta no Domingo, sem dúvida alguma. Senti-me em casa, senti-me segura.
Segunda, Terça e Quarta passaram num instante. Entre filmes, episódios de séries, arrumar a casa, passear, fazer compras, levar o carro ao mecânico... O tempo passou e eu nem dei por ele a passar por mim. Ontem, Quarta-Feira, ainda fomos ao centro comercial buscar as nossas alianças que estavam encomendadas há cerca de quinze dias. Quando ele colocou a minha no meu dedo, não pude deixar de sorrir e estremecer por dentro. "Agora és oficialmente minha." disse ele. Claro que não são precisas quaisquer tipo de alianças ou objectos para eu ser completa e totalmente dele. E ele sabe disso. Ao fim da tarde ainda acabámos por comprar alguns brinquedos para nos divertirmos na cama - ou noutro sítio qualquer - e agora encontro-me aqui, em frente ao ecrã do portátil, com as suas costas tatuadas viradas para mim e a sua respiração pesada como música de fundo. E dou por mim a pensar: posso estar desempregada, posso não ter conquistado tudo aquilo que queria até agora, posso focar-me em todas as coisas más que me acontecem... Mas uma coisa não me posso esquecer: nos próximos tempos irei sempre acordar e adormecer ao lado da pessoa que mais amo e isso ninguém me pode tirar.
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